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Um Guia para a Oração Fervorosa / A. W. Pink

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PÁGINAS: 233

 

TAMANHO: 16 X 23

 

SINOPSE

 

PREFÁCIO

A necessidade vital do tema, a beleza e caráter bíblico das exposições, a profundidade das considerações e a variedade dos ensinos práticos, são alguns dos motivos pelos quais muito recomendamos a leitura, em oração, deste preciosíssimo livro que o Senhor agora nos concede compartilhar com muitos irmãos, e com todos aqueles a quem ao nosso Deus aprouver.

Precisamos de orações vivas e de vidas de oração. A oração é para a alma o que a respiração é para o corpo. Pelos movimentos desta respiração celeste, entendemos que há vida, que estamos vivos; ou não. Precisamos de homens dispostos a orar, e não a pecar.

A oração é uma parte natural da adoração a Deus. Mas, para que possa ser aceita, deve ser feita ao único Deus verdadeiro, em nome do Filho, com a ajuda do Espírito, segundo a Sua vontade, com entendimento, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança (João 14:13-14; Romanos 8:26; 1 João 5:14).

Por que devemos orar? Oramos porque agradou ao Espírito Santo gravar nas linhas eternas da Escritura Sagrada, e isso de forma abundante, o mandamento positivo para que oremos, “sem cessar”, “em todo o tempo”, com “toda oração e súplica”, “vigiai, pois, em todo o tempo, orando”. Jesus ensinou Seus discípulos a orarem sempre e nunca desfalecer (1 Tessalonicenses 5:17; Efésios 6:18; Lucas 21:36, 18:1; Salmo 86:3; 2 Timóteo 1:3; Atos 6:4).

Por que orar se Deus é soberano e decreta o fim desde o princípio, e já decretou de antemão tudo que acontecerá (Isaías 46:10; Salmos 135:6, 115:3; Provérbios 16:4)? É justamente o fato de Deus ser soberano e de fazer tudo que Lhe apraz, que torna possíveis as nossas orações; se nosso Deus não fosse soberano e nem fizesse tudo “segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo” (Efésios 1:9) de forma que algo ou alguém pudesse frustrá-lO ou impedi-lO (Isaías 43:13; Jó 11:10, 42:2) ou dizer-lhe: “Que fazes?” (Daniel 4:35), de que adiantaria pedir algo a um deus tal como este que não tem todo o poder para conceder a petição? Ou como eu agradeceria e louvaria a Deus somente por ter feito algo, se desconfiasse que Ele não o fez sozinho, ou que Ele é impotente para fazer algo à parte da vontade da criatura ou das circunstâncias? Agora, se Deus é soberano, todo-poderoso, justo, bom e sábio, eu oro, suplico e louvo porque eu sei que se Ele quiser o fará, e que operando Ele ninguém impedirá (Isaías 43:13). O Deus que decretou os fins desde o princípio decreta também os meios para alcançar estes fins, se os fins são decretos eternos, os meios (como por exemplo, as orações) também o são. Deus, em Sua providência ordinária, faz o uso de meios, e ainda assim é livre para operar sem, acima e contra eles, como Lhe agrade. Ora, Deus nos ordenou usar os meios: “portanto, vós orareis” (Mateus 6:9; 1 Tessalonicenses 5:17; Efésios 6:18; Lucas 21:36, 18:1). Assim, não podemos esperar que Deus nos abençoe, nem que estejamos fazendo Sua vontade, se não estamos usando os meios que Ele mesmo prescreveu a nós em Sua Palavra, mas, antes, desprezando-os.

Assim disse o Senhor Jesus: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai” (Mateus 6:5-15). Aqui, o Senhor não especulou a respeito da possibilidade de os Seus seguidores orarem em secreto ou não, Ele não diz “se talvez orares”, “se quiseres orar”, “se tiveres tempo para orar”; não, o Senhor diz: “quando orares”, a oração secreta e constante na vida dos verdadeiros seguidores de Cristo não é uma possibilidade, é uma certeza plena. Jesus sabia muito bem que os Seus orariam. Assim como o pastor usa o seu cajado para apartar as ovelhas dos bodes, a oração secreta é o cajado que separa os filhos de Deus dos filhos do Diabo, pois aqueles que entram em seus aposentos e fecham a porta, o fazem como filhos e para “orar a seu Pai”. Certamente os que assim não fazem, e isso não lhes aflige nem incomoda, são bastardos, e não filhos (Hebreus 12:8).

A oração particular é o teste de nossa sinceridade, o indicador de nossa espiritualidade, o principal meio de crescimento na graça. A oração particular é a única coisa, acima de todas as demais, que Satanás busca impedir, pois ele bem sabe que, se ele puder ser bem sucedido neste ponto, o cristão falhará em todos os outros.[1]

No relacionamento do homem com Deus, toda iniciativa parte de Deus, e então o homem reage à ação inicial de Deus. Deus sempre age, nunca reage, Suas ações sempre são primárias. Por exemplo: se alguém ama a Deus, é porque Ele o amou primeiro (1 João 4:19), se alguém O escolhe, foi porque Ele o escolheu primeiro (João 15:16), se alguém é uma nova criatura, é porque Ele antes o ressuscitou estando tal pessoa morta em delitos e pecados (Efésios 2:1-10), de sorte que sempre as atitudes positivas dos homens em relação a Deus são fruto de uma atitude primária, eterna, positiva, graciosa, benevolente e condescendente da parte de Deus para com tal homem. Assim, se você não ora a Deus hoje, tema e trema! Pois pode ser que você não ore na terra porque Cristo também não ora por você no céu, e nem tenha orado por você enquanto Ele esteve na terra, e talvez a única menção que Cristo tenha feito de você durante as Suas orações foi: “não rogo pelo mundo” (João 17:9).

Existem cristãos que possuem uma vida de oração sem, no entanto, possuírem um conhecimento bíblico correto; mas definitivamente não existem cristãos que possuem um conhecimento bíblico correto e não possuem uma vida de oração. Falar de Cristo não é o mesmo que falar com Cristo. Ocupar-se nas coisas de Deus não é o mesmo que se ocupar, em oração, com o próprio Deus das coisas. Existem cristãos falsos que são constantes em “oração”, mas é impossível que existam cristãos verdadeiros que não sejam constantes e diligentes na oração. Sobre isto, o puritano Joseph Alleine, diz:

Aquele que negligencia a oração é um pecador profano e não-santificado. Aquele que não é constante na oração é hipócrita, a menos que a omissão seja contrária ao seu costume, sob a força de alguma tentação momentânea. Uma das primeiras coisas em que se manifesta a conversão é que ela leva os homens a orar.[2]

Paulo diz ao Efésios que Deus predestinou os Seus para que “fossem santos”, e “por isso” diz o salmista: “todo aquele que é santo orará a ti” (Efésios 1:4; Salmos 32:6). Por outro lado, aqueles que não oram são dignos, sim, desta oração: “Derrama a tua indignação sobre os gentios que não te conhecem, e sobre as gerações que não invocam o teu nome” (Jeremias 10:25).

Os que se julgam versados nas Escrituras e como possuindo um bom conhecimento da sã doutrina, que é segundo a piedade, mas que não cultivam um hábito de profunda oração nem a valorizam, estão inchados, e não edificados. Certamente as palavras de Martyn Lloyd-Jones são verdadeiras:

Nossa condição definitiva como cristãos é testada pelo caráter da nossa vida de oração. Isso é mais importante que o conhecimento e o entendimento. Não pensem que eu estou diminuindo a importância do conhecimento. Tenho passado a maior parte da minha vida tentando mostrar a importância de se ter um bom conhecimento e entendimento da verdade. Isso é de importância vital. Só há uma coisa que é mais importante: a oração. O teste definitivo da minha compreensão do ensino bíblico é a quantidade de tempo que eu gasto em oração… Se todo o meu conhecimento não me conduz à oração, certamente há algo de errado em algum lugar.[3]

Para que oremos com real fervor, precisamos oferecer orações “com o espírito, mas também… com o entendimento”. Entendimento bíblico! Nesse sentido, o amado Charles Spurgeon afirma que “as brasas da ortodoxia são necessárias para o fogo de piedade”.[4] Sim, de fato. Nesse sentido, crendo que o conhecimento bíblico de Deus relaciona-se diretamente ao fervor de nosso amor por Ele — que, quanto mais conhecemos e amamos a Deus, mais a oração se torna para nós não somente um dever, mas também um deleite, uma necessidade vital e agradável.

A oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração; ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar, e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode orar é que realmente está fazendo as melhores orações. Às vezes, quando você não sente nenhum tipo de conforto em suas súplicas e seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.[5]

Que o mesmo Senhor Jesus Cristo, centro destas palavras, aplique o que dEle há nas palavras deste escrito com poder, pelo Seu Santo Espírito de graça e de súplicas, nos corações de Seus escolhidos (Zacarias 12:10), para glória de Deus Pai. Amém e amém!

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